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Geral Cinema

Dirigido por Lô Politi, SOL, faz sua première mundial na 45ª Mostra

Road Movie, que traz Rômulo Braga e Everaldo Pontes no elenco, fala sobre abandono e reconexão

11/10/2021 09h00
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Por: VA - REDAÇÃO
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Com trabalhos em ficção (“Jonas”) e documentário (“Alvorada”, codirigido com Anna Muylaert), a cineasta Lô Politi, define o tema de seu segundo longa narrativo, SOL, como universal. “Todo mundo tem uma história com o pai, com o filho, história de família”, explica. É nessa questão que o filme encontra sua força: os laços entre pais e filhos, que se afrouxam e reatam. De forma potente e poética, a diretora, que também assina o roteiro, coloca em cena três gerações de atores: o brasiliense Rômulo Braga (“Valentina”), o paraibano Everaldo Pontes (“Noites de Alface”) e a menina baiana Malu Landim.

 

O filme, que faz sua estreia na 45a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e, no circuito cinematográfico, no início de 2022, traz a história de Theo (Braga), um homem tentando reatar conexões de sua vida. Depois de um ano sem a ver, ele está novamente com sua filha pequena, Duda (a estreante Malu Landim), mas o passado bate à sua porta. Ligações insistentes, de uma desconhecida, avisam que seu pai, Theodoro (Pontes), está em estado delicado num hospital, numa pequena cidade do interior da Bahia.

 

SOL descortina aos poucos a relação tumultuada entre Theo e Theodoro, que não se veem há muitos anos. O rapaz, em companhia da filha, se sente obrigado a viajar para se despedir do pai, mas uma surpresa acontece: a saúde dele melhora, e, agora, que o pai não tem mais onde morar – ele vendera a casa – o filho terá de encontrar uma saída para isso.

 

Ao mesmo tempo, o avô acaba se apegando à neta que não conhecia, o que também revigora a relação entre o pai e a filha. Na investigação da dinâmica entre as gerações de uma mesma família, a diretora e roteirista se aprofunda em questões psicológicas de seus personagens, até culminar num final surpreendente. “Mais que uma história de abandono, esta é uma história de desconexão. A grande história não é a de pai e filho, mas de pai e filha. Ele precisa encarar o abandono e a desconexão com o pai para, ao fim, se reconectar com a filha. Ele precisou passar por tudo isso. A gente acha que está vendo uma história da origem dele, mas, na verdade, ele não está conseguindo se conectar com quem está do lado dele, que é a própria filha. Ele faz com a filha exatamente o que o pai fez com ele.”.

 

A produtora Eliane Ferreira (“Cine Marrocos”, “Vermelho Russo”), da Muiraquitã Filmes, destaca que o longa é inovador ao trazer um olhar feminino ao universo masculino. “Até pouco tempo, eram homens diretores que contavam histórias de mulheres. E ao final, quem traz a possibilidade de que o homem entre em contato com suas emoções é uma mulher, quer dizer, uma menina. É um filme único por sua forma de revelar o que a separação também provoca no homem, que encara também a dificuldade de retomar a própria vida.”.

 

Sobre seu trabalho, Ferreira explica que costuma estar muito próxima dos diretores. “Lô preparou muito bem o filme.  Fez um photobook do filme, toda esta preparação ajudou muito. E isso era necessário porque, para o cinema independente, se não for assim, não é possível realizar”, explica a produtora.”.

 

Como cenário, a diretora queria uma Bahia que fugisse das grandes paisagens turísticas, e, para isso, trabalhou com o diretor de fotografia pernambucano Breno Cesar (“Casa”). “Ele vem do sertão profundo de Pernambuco. Então, esta é uma paisagem muito natural para ele, que nunca viu as locações com olhos estrangeiros, com uma estética estilizada. Isso foi muito importante. A nossa parceria foi espetacular.” E, embora rodado na Bahia, esta é uma produção paulista.

 

Antes das filmagens, SOL passou por um longo processo de amadurecimento e preparação. Além do trabalho com o elenco, Politi e a equipe fizeram uma pesquisa grande in loco, ao estudarem profundamente as  locações e o universo de cada personagem, com muita antecedência. “A gente se preparou tanto que, na hora de filmar, pudemos nos despojar de tudo. Estava tudo tão dentro de nós que tudo acabou sendo muito natural, fluido e intuitivo. Creio que isso está bem impresso no filme.” Além disso, a diretora complementa que a direção de arte foi fundamental na construção de seu longa: “Está também, claro, a serviço desta narrativa. A Mariana Hermann, diretora de arte, também fez o processo de mergulho no universo local e tudo o que se vê no filme vem dali, daquele universo. Um trabalho minucioso, genial.”.

 

Com o elenco, não foi diferente. “A gente ensaiou muito, antes, para encontrar o tom. Mas quando se chega no set preparado, a gente fica aberto ao que o set nos dá. E é assim que a mágica acontece. Há muitas cenas do filme que foram assim.”.

 

Politi conta que um dos elementos-chave do filme é o silêncio. Theodoro praticamente não fala, enquanto Theo fala pouco. Já Duda, como uma criança curiosa e inteligente, fala bastante, mas precisa lidar com o não-dito dos adultos. “Escolher um protagonista que fala pouco ou quase não fala, é duro. Rômulo traz naturalmente uma introspecção que é poderosa. Ele dá ao personagem a natureza dos conflitos internos e a gente entende isso, entende os motivos do personagem. Sem contar que a troca dele com o Everaldo e com a Malu foi incrível. Ele foi estabelecendo uma relação com eles muito interessante, pois também precisava se isolar, para o bem da história, e se aproximava na hora certa. Ele tem uma inteligência emocional muito rara.”.

 

SOL será lançado no Brasil no primeiro trimestre de 2022, pela Paris Filmes.

 

Sinopse

 

Um pai recém-separado, que não consegue se reconectar com a filha de dez anos, é obrigado a viajar com ela para o interior do País em busca do próprio pai que o abandonou quando criança e agora quer morrer. O convívio forçado com o pai que ele odeia e a imediata conexão de sua filha com o avô testa todos os seus limites, mas lhe dá a chance de se reaproximar da filha.

 

Ficha Técnica

 

Direção: Lô Politi

 

Roteiro: Lô Politi

 

Produtores: Eliane Ferreira, Pablo Iraola e Lô Politi

 

Produção Executiva: Eliane Ferreira

 

Direção de Fotografia: Breno César

 

Montagem: Helena Maura, AMC

 

Direção de Arte: Mariana Hermann

 

Edição de Som: Beto Ferraz

 

Mixagem: Paulo Gama

 

Trilha Sonora Original: Guilherme Garbato, Gustavo Garbato e Janecy Nascimento

 

Direção de Produção: Cláudia Reis

 

Figurino: Teresa Abreu

 

Maquiagem: Nayara Homem

 

Som Direto: Ana Luiza Penna

 

Pós Produção: Psycho n' Look

 

Empresas produtoras: Dramática Filmes, Muiraquitã Filmes

 

Distribuidora: Paris Filmes

 

Duração: 100 minutos

 

Sobre Lô Politi

 

Lô Politi é diretora e roteirista. Seu primeiro longa-metragem, “Jonas”, em que assina direção e roteiro, recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional do Rio e participou de mais de dez festivais internacionais. Atualmente, está disponível no catálogo da Netflix em 190 países.

 

“Sol”, seu segundo filme de ficção, em que também assina direção e roteiro, será lançado no início de 2022 e integrou a seleção da 45a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 

Lô também dirigiu, em parceria com Anna Muylaert o longa-metragem documentário “Alvorada”, sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, lançado em maio de 2021.

 

Atualmente, a diretora trabalha na pré-produção de seu terceiro longa: “Meu Nome é Gal”,  a ser codirigido com Dandara Ferreira, com lançamento previsto para o final de 2022.

 

 

 

 Sobre a Muiraquitã Filmes

 

A Muiraquitã Filmes foi fundada pela produtora Eliane Ferreira e se dedica a produzir filmes e séries de ficção e não-ficção com perspectivas únicas e autênticas, em colaboração com cineastas talentosos e parceiros em todo o mundo. Em 2015, Pablo Iraola se tornou sócio, agregando sua experiência internacional para a produtora. Seus filmes já foram selecionados e exibidos em grandes festivais como: Berlim, IDFA, Dok Leipzig, Jeonju, além de terem sido distribuídos para diversos países. Suas mais recentes produções foram os documentários: “Os Arrependidos” de Armando Antenore e Ricardo Calil – vencedor do É tudo verdade 2021; “Fico te devendo uma carta sobre o Brasil” de Carol Benjamin - menção especial do júri no IDFA e É tudo verdade; “Cine Marrocos” de Ricardo Calil - melhor documentário em Dok Leipzig (Next Masters Competition), Festival Internacional de Guadalajara e É Tudo Verdade, e o longa ficção “Querência” de Helvécio Marins Jr. - seleção do Forum no Festival de Berlim (Berlinale) e melhor filme no Festival de Jeonju. 

 

Seu mais novo longa de ficção “Sol” de Lô Politi estreará na Mostra Internacional de São Paulo 2021. Para o próximo ano tem previsto o lançamento dos filmes “Mar de Dentro” de Dainara Tofolli, com Monica Iozzi como protagonista; “Bala sem Nome” de Felipe Cagno, com Paolla Oliveira como protagonista e os documentários “Os Arrependidos” de Ricardo Calil e “Eneida”, de Heloisa Passos.  Atualmente em produção tem os documentários “Testament”, de Meena Nanji e Zippy Kimundu - projeto selecionado para o IDFA Forum 2020, e que já recebeu o apoio de importantes fundos, tais como: IDFA Bertha Fund, Hot Docs Blue Ice, IDA, Chicken & Eggs e Ford Foundation e “Sobre Memória e Esquecimento” de Ricardo Martensen que recebeu apoio de desenvolvimento do Sundance e do IDFA Bertha Fund.  Para o próximo irá filmar o longa “Silêncio” de Henrique Dantas, uma coprodução com a Itália.

 

Sobre a Paris Filmes

 

A Paris Filmes é uma empresa brasileira que atua no mercado de distribuição e produção de filmes, destacando-se pela alta qualidade cinematográfica. Além de ter distribuído grandes sucessos mundiais como as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, o premiado “O Lado Bom da Vida”, que rendeu o Globo de Ouro® e o Oscar® de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence em 2013 e “Meia-Noite em Paris”, que fez no Brasil a maior bilheteria de um filme de Woody Allen, a distribuidora também possui em sua carteira os maiores sucessos do cinema nacional, como as franquias “De Pernas Pro Ar”, “Até Que a Sorte nos Separe” e “DPA – O Filme”. Nos últimos anos a empresa esteve à frente de importantes lançamentos como “John Wick”, “La La Land – Cantando Estações”, “A Cabana”, “Extraordinário”, “Nada a Perder” e “Turma da Mônica – Laços”. Para os próximos lançamentos, a companhia aposta em um line-up diversificado, que inclui títulos como “Marighella”, “Turma da Mônica – Lições”, “A Sogra Perfeita”, “Detetives do Prédio Azul 3 – Uma Aventura no Fim do Mundo”, as sequências de “John Wick” e “Jogos Vorazes”, entre outros.

 

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