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Arcoverde,02/03/2024

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Arcoverde: Entre a Tradição e o Esquecimento - Um Carnaval Desorganizado e Esvaziado

Da redação do PEonline
Arcoverde: Entre a Tradição e o Esquecimento - Um Carnaval Desorganizado e Esvaziado Telhas deixadas no pátio do Carnaval Folia de Bois põe em risco foliões em Arcoverde

Arcoverde que ficou conhecida por seus tradicionais ursos e bois de carnaval, vive momentos de tristeza após mais um ano de festividades marcadas pela desorganização e baixa adesão do público. Cenário que contrasta com os seus dias de glória, quando as ruas se enchiam de cores, música e alegria, atraindo turistas de diversas regiões.

Hoje, a realidade é outra: as praças vazias e o silêncio evidenciam o enfraquecimento de uma cultura que já foi vibrante, enquanto cidades vizinhas, como Afogados da Ingazeira, Pesqueira e Bezerros, seguem na direção oposta, avançando e capturando a atenção e os recursos que antes eram destinados a Arcoverde. Os batuques que ainda se escutam na rua e que ainda salvam o Carnaval de Arcoverde são frutos da resistência de artistas locais, que entre trancos e barrancos não deixam morrer as tradições.

Como prova da apoteose e do sucesso do Carnaval de Arcoverde, a comunicação da prefeitura exibe a Praça da Bandeira superlotada pela multidão que acompanhou a 52º Desfile do Zé Pereira, que trouxe consigo troças, bois, jaraguás e outros brincantes. A massa que acompanha a festa não sabe o quanto esses artistas sofrem para garimpar recursos para montar seus figurinos. Desvalorização que deixou de ser latente durante o periodo junino, em que muitos desses artistas locais, por priorizarem tocar em Arcoverde, ficaram sem receber os seus cachês e muitos deles fizeram vaquinhas para não passar fome. 

O Carnaval Folia de Bois, uma vez símbolo de festividade e união, este ano, mais uma vez, viu-se apequenado,  com uma desorganização evidente, que culminou na liberação de um espaço inadequado pela Prefeitura de Arcoverde.  Por que inadequado? A inadequação, se deu pela existência de restos de construção e telhas na Rua do Lazer, que dá acesso ao bandeirante.  Tal situação não foi vista pelo prefeito, que deveria estar prestigiando o carnaval em outros ares. Se tivesse tido uma briga na praça, essas telhas seriam usadas como armas e colocaria em risco a população. Puro amadorismo. Felizmente, nenhum incidente foi registrado, mas a mensagem é clara: medidas urgentes são necessárias para evitar futuras negligências.


Será que a prefeitura viu? Como se libera uma praça para uma festa com essa quantidade de telhas espalhadas, que poderiam virar armas numa eventual briga? É a desatenção do poder público colocando em risco a vida de crianças e jovens .

O declínio das festividades de carnaval em Arcoverde não é apenas uma questão de números ou de economia; é um sinal alarmante do enfraquecimento de uma identidade cultural rica e diversificada. Enquanto cidades vizinhas florescem, atraindo investimentos, turistas e, consequentemente, gerando emprego e renda, Arcoverde se vê em um momento crítico de introspecção. A necessidade de revitalizar suas tradições e reorganizar seus eventos torna-se imperativa para que a cidade possa reencontrar seu lugar no mapa cultural do Brasil e voltar a ser um polo de alegria e celebração que orgulhosamente já foi.

Glórias passadas:

Arcoverde, quem te viu, quem te vê:

No Governo Zeca Cavalcanti por exemplo, Arcoverde estava incluído como polo carnavalesco do Estado. Havia Van Premier com cortejos desfilando pela cidade, orquestras de frevo, atrações locais, regionais e nacionais. O carnaval de Arcoverde mantinha um  caráter descentralizador, com polos na Praça da Bandeira (Polo Central – Polo de Pernambuco), Boa Vista, São Cristóvão e focos de animação na Cohab I e Rua São Vicente, no São Miguel.

Para quem não sabe, Arcoverde tinha um carnaval eclético, com pessoas fantasiadas nas ruas, muito frevo, samba e movimento Manguebeat, ocasião em que Cascabulho, Lirinha do Cordel do Fogo encantado e Zeca Baleiro, homenagearam Chico Science. Havia também polos na Boa Vista, Cohab i, Rua São Vicente e São Cristóvão. 

Madalena Brito, por sua vez, manteve atrações de renove e também atraiu turistas para Arcoverde. Dudu Nobre, Tony Garrido, Marreta, Nando Cordel e Claudenor Germano são exemplos de atrações que atraiam turistas para Arcoverde, ajudando a fomentar nossa economia. Bois, ursos e similares também tinham aporte local para suas apresentações.





Nos Governos Zeca e Madalena Brito, um palco largo era montado para acomodar um público maior de toda a região.


Carnaval 2024 - Barracas, cadeiras e mesas com garrafas de vidro, além de palco no meio da praça. Estratégia visual para disfarçar público pequeno na Praça da Bandeira.





Zeca descentralizou o Carnaval de Arcoverde e criou polos de animação em vários bairros. Em outros carnavais, Arcoverde já chegou a receber até o Homem da Meia Noite arrastando uma multidão (Governo Madalena)




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